Agricultura agriculture Algodão Planejamento Agrícola Sementes Tecnologia Tecnology 09 de abril, 2026 - 6 minutos de leitura

Doenças do algodoeiro: controle de mancha-alvo e ramulária

Lavoura algodão

O Brasil é o 3º maior produtor de algodão (Gossypium hirsutum) do mundo, e o maior exportador (USDA, 2026).

Para a safra 2025/26, estima-se que 2,052 milhões de hectares sejam cultivados, gerando uma produção de 3,829 milhões de toneladas de pluma, segundo dados divulgados pela CONAB, em 2026. 

Contudo, sabe-se que, ao longo da safra, patógenos causadores de doenças podem afetar a cultura em diferentes estádios de desenvolvimento, desde a emergência até as fases vegetativa e reprodutiva. Entre os principais fungos que acometem o algodoeiro, destacam-se a mancha-alvo (Corynespora cassiicola) e a ramulária (Ramulariopsis pseudoglycines), consideradas as doenças de maior relevância para a cultura.

Confira a seguir os sintomas causados por ambas as doenças e como a escolha dos materiais mais adequados a áreas de cultivo com histórico dessas doenças podem auxiliar no controle!

 

O que é mancha-alvo?

A mancha-alvo é uma doença causada pelo fungo Corynespora cassiicola, sendo esta uma das principais ameaças contra a cultura. Ocorre nas principais áreas de cultivo de algodão do Brasil, desde o Estado do Mato Grosso, atingindo campos de produção da Bahia e do Goiás.

A mancha-alvo do algodoeiro resulta em desfolha precoce da cultura, comprometendo a fotossíntese, resultando na redução da produtividade. Estudos apontam que o patógeno pode causar redução de até 40% na produtividade da lavoura (EMBRAPA, 2025). 

Mancha-alvo algodão

Fonte: EMBRAPA Algodão, 2024.

Como identificar a mancha-alvo no campo?

Para que possa realizar o manejo adequado da doença, é importante identificá-lá no campo primeiro. 

A infecção ocorre a partir do inóculo no solo deixado pela soja, planta hospedeira da doença de mancha-alvo, e que acaba infectando o algodão no início de seu ciclo. Os sintomas do fungo começam a partir das folhas do terço inferior da planta, o famoso “baixeiro”, principalmente após o fechamento do dossel. 

Após isso, os sintomas iniciais do patógeno incluem: lesões circulares de coloração amarronzada a escura, em formato de anéis concêntricos, sendo semelhantes com um alvo (origem do nome da doença). 

Com a progressão da doença, as manchas podem se unir, causando necrose do tecido foliar.

 

Como manter a lavoura livre de mancha-alvo?

Diversas estratégias podem e devem ser utilizadas em conjunto, para controle eficiente da doença, entre elas destacam-se:

  • Realizar monitoramento de perto, contínuo, e principalmente em períodos de chuvas e alta umidade;
  • Realizar rotação de culturas com plantas que não são hospedeiras de mancha-alvo;
  • Monitorar as soqueiras ao final do ciclo, para que não se tornem fonte de inóculo primário do patógeno no próximo cultivo;
  • Reduzir a densidade populacional da lavoura, com menor número de plantas por hectare, com maior espaçamento entre linhas, favorecendo a ventilação entre as plantas, principalmente em cultivares com maior suscetibilidade;
  • Aplicar fungicidas após os primeiros sintomas da mancha-alvo no algodoeiro, visando evitar que a doença se prolifere, realizando sempre a rotação de princípios ativos;
  • Utilizar cultivares tolerantes/resistentes à doença.

Mas não é só a mancha-alvo que é capaz de reduzir significativamente a produtividade do algodoeiro. Outra doença com potencial semelhante de perdas é a ramulária. 

 

O que é ramulária?

A ramulária é uma doença causada pelo fungo Ramulariopsis pseudoglycines, sendo considerada a principal ameaça contra as lavouras de algodão. Ocorre também nas principais regiões de cultivo do Brasil, como nos Estados do MT, BA e GO.

Em períodos com persistência de alta umidade, a ramulária pode causar comprometimento da qualidade da fibra, afetando de forma severa a lavoura. Os danos podem chegar a redução de até 35% da produtividade (EMBRAPA, 2018), além da redução da qualidade da fibra.

Ramulária algodão

Fonte: EMBRAPA Algodão, 2017.

 

Como identificar a ramulária no campo?

Os sintomas de ramulária se iniciam a partir da parte inferior da folha, tendo como primeiros sinais as pequenas lesões angulares, especificamente entre as nervuras (sem a esporulação do fungo). Após isso, essas lesões se tornam esbranquiçadas, pulverulentas, devido a presença do patógeno na planta. 

Com a progressão da doença, o número e o tamanho de lesões vão aumentando, resultando em necrose e comprometendo o limbo da folha. Em casos severos, causa desfolha, prejudicando a fotossíntese, o que pode levar ao apodrecimento das maçãs.

 

Como manter a lavoura livre de ramulária?

Assim como o controle da mancha-alvo, a ramulária exige um conjunto de ações. Com o manejo integrado de doenças (MID), é possível minimizar as perdas. As estratégias de controle incluem:

  • Realizar monitoramento de perto, contínuo, e principalmente em períodos de chuvas e alta umidade;
  • Realizar rotação de culturas com plantas que não são hospedeiras de ramulária;
  • Realizar a semeadura na época de plantio adequada;
  • Aplicar fungicidas após os primeiros sintomas da mancha-alvo no algodoeiro, visando evitar que o patógeno se dissemine na área. Sempre realizar rotação de princípios ativos.

 

Como a SLC Sementes pode te ajudar contra a ramulária?

A SLC Sementes pode te ajudar a combater a ramulária da sua lavoura a partir de seu amplo portfólio de cultivares de algodão com tolerância ou resistência. Como exemplo de cultivares tolerantes, moderadamente resistentes e resistentes têm-se:

  • TMG

TMG 21 GLTP – Tolerante, de ciclo médio/precoce;

TMG 31 B3RF – Tolerante, de ciclo médio/precoce;

TMG 38 B3RF – Tolerante, de ciclo tardio;

TMG 66 GL – Tolerante, de ciclo tardio.

 

  • DELTAPINE 

DP 1949 B3RF – Moderadamente resistente, de ciclo precoce/médio;

DP 2111 B3RF – Resistente, de ciclo precoce;

DP 2176 B3RF – Resistente, de ciclo médio/tardio.

 

  • IMA MT

IMA 5801 B2RF – Resistente, de ciclo médio/precoce;

IMA 5901 B2RF – Resistente, de ciclo médio/precoce.

 

Acesse o nosso portfólio de algodão e saiba mais!

 

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